Desfile Casa Dior

15/Feb/2020

As grandes casas de alta costura internacional, têm vindo, passo a passo, a ceder às exigências do público mais jovem, demonstrando (alguma!) preocupação com o planeta e a sustentabilidade, integrando nas suas coleções linhas ou coleções cápsula ecofriendly.

A Casa Dior, não é exceção, e fez o seu statement a este propósito, na apresentação da coleção primavera/verão 2020, com um desfile, no mínimo original, realizado num corredor de 160 árvores. Mas ao contrário do sucedido, em 2018, com a Chanel, que cortou árvores para utilizar no seu desfile e foi, veemente, criticada pelos ecologistas, a Dior serviu-se de paisagistas que escolheram árvores que foram, posteriormente, replantadas pela cidade de Paris.

A diretora artística da casa Dior, Maria Grazia Chiuri, inspirou-se na vida sofrida de Catherine, irmã mais nova de Christian Dior, que integrou a Resistência, foi torturada, e deportada para um campo de concentração. Após a guerra dedicou-se ao jardim para esquecer os horrores vividos, vendendo as suas flores em Paris, fazendo disso carreira.

A coleção da Dior, além dos estampados florais e tons terrosos, incluiu algumas peças feitas a partir de flores verdadeiras, saias em ráfia e cintos finos de cânhamo ajustavam as silhuetas nos vestidos vaporosos.  As modelos usaram chapéus de palha e alpergatas bordadas, além de cabelos com tranças, à imagem de uma das figuras mundiais mais emblemáticas da atualidade, a jovem ecologista Greta Thunberg.

A indústria da moda é uma das mais poluentes do planeta e a pressão social está a fazer com que marcas históricas se apressem a dar sinais de preocupação e medidas tendentes a uma vida mais sustentável e proteção do meio ambiente.

Mais de 30 grandes grupos mundiais da indústria têxtil, desde a gigante do luxo Kering (grupo que detém as casas Gucci, Balenciaga, Saint Laurent, Bottega Veneta, Alexander McQueen, etc), até à espanhola Inditex (Zara e Massimo Dutti) celebraram em agosto de 2019, um "pacto de moda", para empreender ações que contribuam para limitar o aquecimento a 1,5 ºC em relação à era pré-industrial.

Curiosamente, a casa Dior, que faz parte do grupo LVMH, rival da Kering, não assinou o pacto...