Tendências Primavera-Verão 2020 - opção sustentável

06/Aug/2020

A pandemia pelo COVID-19 e o confinamento daí resultante, provocou um desacelaramento das atividades económicas em geral, mas da moda, muito em particular. As lojas físicas mantiveram-se fechadas por período significativo, coincidente com o período normal de lançamento das novas coleções de primavera/verão de 2020. As dificuldades em que foram colocados os lojistas, com o encerramento temporário e com a pouca afluência que se seguiu derivado do medo das pessoas de frequentar locais públicos, levou várias lojas a cancelarem as novas coleções ou, pelo menos, adiarem a sua entrada em loja. Por outro lado, instalou-se uma insegurança financeira na generalidade das famílias, provocando uma redução do consumo, nomeadamente, de artigos de moda, pressionando as marcas e lojas multimarcas a cedo iniciarem campanhas promocionais e descontos.

Aquele que poderia ter sido um evento, lamentável para o mundo, mas positivo para a redução do consumismo, foi de novo posto à prova com a indústria fast-fashion a tentar dar novo impulso ao consumo, permitindo que a renovação dos guardas-roupas com as novas tendências da coleção fossem adquiridas a preços mais acessíveis.

Compreendo a ânsia de o fazer, após tantos meses confinados e usando a roupa praticamente, apenas e só, na sua vertente confywear. Contudo, tenhamos nós aprendido alguma lição, e entendido que forças maiores que a vontade humana, se sobrepõe, e no fim somos todos iguais, ricos ou pobres, brancos ou de cor, do ocidente ou do oriente. E que cada um de nós, individualmente, tem por outro lado, a capacidade e poder de mudar o rumo do universo, com a simples opção de ficar ou não em confinamento, de usar ou não uma máscara.

Verificámos que os níveis de poluição global reduziram brutalmente, nos meses críticos da pandemia, em consequência do abrandamento das atividades económicas como um todo, despertando consciências para a necessidade de se reduzir o consumo para bem do planeta e na tentativa de inverter a pseudo inevitabilidade que se anunciava no pré-COVID, da insustentabilidade da vida na Terra para as gerações futuras próximas.

Então, resumidamente, não tendo a pretensão de apelar ao não consumo, quero deixar algumas alternativas às suas escolhas, no que respeita às principais tendências para este verão, que constituam uma opção mais responsável e sustentável.

  1. Artesanal / Croché

Esta técnica artesanal deixa de ser associada, exclusivamente, a ambientes de praia, surgindo em qualquer peça, desde camisolas, tops e vestidos, combinados com peças mais sofisticadas, resultando em looks para usar no dia a dia. Esta tendência tem em si própria, uma forte componente de sustentabilidade, se considerada na sua dimensão de facto artesanal (feito à mão). Se tiver uma avó ou uma tia que continua a fazer naperons ou quaisquer outros retalhos de croché, tantas vezes sem destino definido, desafie a sua habilidade e incentive-a a fazer uma peça (um top, por exemplo) que possa complementar o seu guarda-roupa, dando-lhe aquele toque trendy da estação, com o menor impacto possível no ambiente e no planeta.

  1. Cores néon

Um guarda-roupa sustentável e responsável, não deve ter muitas peças, claramente, dependentes das tendências, tal como é o caso das cores néon (ou fluorescentes). Se quer mesmo alinhar nesta moda recuperada dos anos 80, é mais seguro adquirir uma peça só (de uma ou mais cores néon) ou mesmo só um acessório. Mas atenção que as passerelles internacionais continuam a apresentar estas cores para as próximas estações, logo vale a pena apostar numa peça que possa usar por mais tempo, na entrada do outono ou mesmo por essa estação a dentro, como por exemplo, uma bolsa. Lembre-se que quanto mais durabilidade tiver e mais tempo levar até ao descarte como desperdício, mais sustentável é a sua escolha. Portanto se não estiver muito certa de que vai seguir usando por muito mais tempo esta tendência, simplesmente não siga, ou prefira somente um detalhe numa peça de cor neutra, preferencialmente, optando por aplicar esse detalhe a uma peça que já exista no seu guarda-roupa.

  1. Tie-dye

Esta expressão designa uma técnica de tingimento que surgiu, timidamente, no ano passado em t-shirts e em calças, mas este ano surge com toda a força, em variados materiais, no feminino e masculino. Se ainda não tem qualquer peça com este padrão, e gostaria de aderir à tendência, porque não DIY (Do It Yourself)? As lojas online estão invadidas por kits de tintas para este tipo de tingimento, aos mais variados preços. Reutilize uma peça (t-shirt, camisa, cropped top, etc.) já gasta, do seu armário, e dê asas à sua criatividade, fazendo o seu modelo original.

  1. Estampados tropicais

Na verdade, os estampados de elementos naturais, regra geral, estão em alta, quer para homem, quer para mulher. A par das flores que se mantêm de coleções anteriores, juntam-se folhas de palmeira, ananases e flores exóticas, remetendo para ambientes mais tropicais. E este padrão não se limite aos looks de praia, surgindo não só em tecidos fluídos, como em tecidos menos fluídos de camisas e vestidos, no masculino e feminino, a usar no dia a dia.

Resgate do seu armário, uma saída de praia em forma de lenço, o soutien de um biquini, ou um fato de banho, que incluiam elementos tropicais e complemente looks urbanos, de blaser ou camiseiro e calça ou saia de cinta subida, privilegiando a elegância.

Pode ainda simplesmente aplicar um alfinete alusivo aos trópicos (ananás, colibri, palmeira), numa t-shirt branca e o upgrade está feito!

  1. Pele / Cabedal

No fundo é um clássico que não passa de moda e, seguramente, fará parte do seu guarda-roupa. Porém, a novidade está na sua utilização em outras peças de roupa além de casacos, em cores pouco comuns e vivas, e em particular, nas estações mais quentes. Opte por pele falsa, nas alternativas vegan, que várias marcas já apresentam. Pode ainda, reutilizar e transformar alguma peça da qual já se cansou e que pertencia ao guarda-roupa de outono/inverno (desde que não seja forrada e demasiado grossa), convertendo um casaco em colete ou ainda uma calça em bermudas ou calções.

  1. Top Soutiens

Os cropped tops já eram, e a moda agora é mesmo usar tops no formato de soutien. Com alguma cautela esta peça pode ser utilizada com sofisticação e elegância, conjugado com calças e saias de cinta subida de forma cobrir o umbigo, e um blaser a completar, para look descontraído ao fim de semana, com uma peça formal do dia a dia. Aumentar o número de utilizações e combinações da mesma peça é uma atitude sustentável a adotar.

  1. Bermudas

Os calções um pouco abaixo do joelho, foram rebuscados aos anos 90, período no qual eu própria usei (não que me orgulhe muito, na medida em que não favorece tanto as pessoas de baixa estatura....), ou não fosse a moda cíclica! Mas não precisa de ir a correr comprar uns novos... Porque não, procurar primeiro numa loja de 2ª mão, onde pode encontrar excelentes oportunidades de peças revivalizadas pela moda cíclica, existindo várias online que recomendei, inclusivamente, no meu artigo Consumo de Moda de Segunda Mão.

Estas são as dicas que vos queria deixar, antes que corram a comprar impulsivamente, por um planeta melhor, e pelo bem da vossa carteira!

Comentem, gostem, partilhem e coloquem as dúvidas que quiserem, que cá estarei prontinha para vos ajudar.