Nem tudo o que vem da China é mau

22/Feb/2020

Em contra-ciclo do consumismo exacerbado pelas grandes marcas do Fast Fashion, nascem um pouco por todo o lado, em resposta à emergência e urgência de medidas de sustentabilidade do planeta, marcas totalmente zero wasting ou linhas ecofriendly de marcas de renome que vão assim tentando adaptar-se às exigências das novas gerações.

Mas como todos temos consciência, a única medida verdadeiramente eficaz e com resultados relevantes, como pudemos assistir agora, pelo infortúnio da pandemia do COVID-19, na redução das emissões de CO2 em países críticos como a China, é mesmo a redução do consumo.

E quando falamos de moda, indústria das mais poluentes do mundo, mais urgente é alertar consciências e travar a fundo o ímpeto de falsas necessidades que nos são criadas pelas grandes marcas de Fast Fashion que lançam coleções novas nas lojas a cada 15 dias, com preços atrativos, criando a ilusão de que no final, não gastamos assim tanto! Mas além do impacto ambiental que estas práticas nefastas têm, é preciso refletir como é possível que esses grandes grupos ganhem lucros praticando esses preços. A responsabilidade social na escolha do que compramos também é nossa e devemos procurar saber a origem da produção e entender se foi pago o justo valor ao produtor.

A PHVLO (pronunciado como “flow”), fundada por Johanna Ho em 2017, é uma pedrada no charco. Sediada em Hong Kong, com base também em Londres, cria roupas multifuncionais que se transformam, dependendo das necessidades do usuário. Com a sustentabilidade no coração da marca, a fundadora não quer perseguir as estações, mas desenvolver cápsulas não sazonais que se mantêm na moda, mas que não seguem a tendência. A marca desenvolve moda sem estação, funcional, para um estilo de vida urbano ativo, combinando praticidade com conforto e design. As criações são projetadas para durar o dia todo, reduzindo o desperdício e eliminando a necessidade de trocar de roupa da manhã para a noite, economizando uma hora por dia, pelo que a marca oferece 25 horas para viver, trabalhar e se divertir!

São escolhidas tecnologias que tenham o menor impacto no meio ambiente, mas com alto desempenho por natureza (multifuncional). Cada produto PHVLO é um design único, desenvolvido peça por peça, e requer pouca manutenção, podendo ser limpo colocando-o na máquina de lavar, sem o uso de agentes químicos de limpeza.

A sustentabilidade não se refere apenas ao uso de tecidos ecológicos/responsáveis, mas também à circulação de um produto (economia circular). A PHVLO desenvolve cada projeto com atenção aos detalhes funcionais e esteticamente bonitos, garantindo a longevidade de cada produto.

O uso do tecido Mintotech é um exemplo do respeito pela história e tradição, além do meio ambiente. Inspirada em Minos - uma peça tradicional japonesa repelente de água, feita de palha de arroz -, a Minotech é uma tecnologia que resulta em roupas à prova de chuva, onde pingos de chuva deslizam pela superfície em vez de penetrá-la.

A marca também usa a tecnologia Ecorepel®by Schoeller, que resulta num acabamento de tecido que imita as qualidades da plumagem de um pato. É um revestimento repelente à água e à lama que garante que os tecidos permaneçam limpos e secos, prolongando a vida útil da peça, reduzindo assim, o desperdício. Também é biodegradável e isento de fluorocarbonetos.

Desenvolveu pequena coleção cápsula de malha, feita de um fio que é constituído por elementos de conchas de caranguejo (Crabyon), nos quais as propriedades do produto tornam-se antibacterianas, antialérgicas, sem borboto e parecem caxemira.

Tudo o que fazem é em nome da sustentabilidade, mas isso não se limita ao desenvolvimento de coleções que usam tecidos ecológicos ou práticas de desperdício zero. O objetivo é atingir todo o ecossistema da moda, o que passa por retribuir à comunidade, conectando, capacitando e alimentando jovens talentos.

A PHVLO colabora com produtores têxteis inovadores e instituições académicas voltadas para o futuro, para desenvolver peças consideradas duradouras.

Lançou coleção projetada por estudantes da Central Saint Martin, com sede em Londres, em colaboração com a Izzue (marca de Hong Kong). Sendo esta uma marca high-street, e porque estas marcas são as que produzem mais desperdício, foi escolhida para ajudar mais marcas asiáticas a entender que a sustentabilidade pode ser alcançada não apenas na cadeia de matérias-primas, mas também mudando a mentalidade dos próprios designers.

Desenvolveu um projeto de upcycling com a Adidas, e criou coleção para a SMG (marca streetstyle asiática), utilizando tecido Gore-Tex® que garante a impermeabilidade, respiração e durabilidade do produto.

No final do dia, o produto precisa ser cool, vestir e vender. Podem-se usar quantos tecidos ecológicos quiser, mas o produto deve ter uma boa aparência.

Sustentabilidade não é apenas sobre produção e materiais, é sobre criar um sistema circular. É preciso fechar o ciclo, mas não faz sentido falar em moda sustentável quando uma empresa não pode sobreviver...