OUTUBRO ROSA

29/Oct/2021

Alertar para a prevenção do cancro da mama é o objetivo desta campanha, mas aproveito para lembrar que as mulheres que estão a lutar contra a doença precisam de continuar a sentir-se tal e qual: MULHERES.

 

O mês de outubro está a chegar ao fim.

Certamente ouviu falar ou leu sobre a campanha anual realizada mundialmente, durante este mês, designada de “Outubro Rosa”. Pois bem, esta campanha existe desde a década de 90, nascida nos Estados Unidos da América para alertar para a importância da prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

Muito terá sido dito a este propósito, e bem, para a consciencialização do papel fundamental da própria mulher no conhecimento do seu corpo e alerta para qualquer alteração.

Mas o que me traz aqui não é repetir aquilo que tantos media reproduzem...

Aproveito a oportunidade em que o cancro da mama ainda é o tema do momento – sim, porque depois volta ao esquecimento por mais doze meses sad - para falar para aquelas mulheres que lamentavelmente estão a lutar contra ele.

É do conhecimento geral que uma atitude positiva em relação à doença ajuda a enfrentar e superar o cancro. Neste sentido é preconizado um estilo de vida saudável, focado na alimentação e atividade física.

Mas existe uma dimensão do bem-estar da mulher ao qual não está a ser dada a devida atenção. Uma doença como o cancro, e em específico o cancro da mama, tem um efeito devastador na autoestima de uma mulher. O acompanhamento médico oncológico inclui no seu protocolo o apoio psicológico da doente e até de familiares.

Apesar de mais de metade das mulheres com cancro da mama manifestarem um sofrimento emocional relevante, dificuldade em lidar com os seus sintomas físicos e os efeitos secundários dos tratamentos, o protocolo clínico incide sobre a perturbação psicológica, nomeadamente, perturbações de ansiedade, depressivas e de adaptação.

O meu alerta é para a falta da devida atenção para o impacto negativo que toda a doença e tratamentos provocam na autoestima da mulher, que além das alterações óbvias na parte do corpo afetada, debatem-se com a sua imagem reflectida no espelho, com a qual não se identificam, não gostam e com a qual não sabem lidar.

 

Danos irreversíveis na sua feminilidade podem advir, depressão por recusarem a imagem transformada por tratamentos agressivos e cujos efeitos secundários englobam deformação dos corpos, com aumentos de volume indesejados entre outros. A autoestima sofre uma machadada e estou convicta que não existe uma preocupação com esta situação, ao nível do protocolo de acompanhamento.

Procedi a uma investigação de entidades ou atividades com o propósito de recuperar a autoestima da doente oncológica, que recusa sair de casa e retomar as suas atividades diárias, porque sente que não é mais bonita, que as suas roupas já não lhe servem nem favorecem e não sabe como mudar isso.

Conheci um projeto que eleva a autoestima da mulher vítima de cancro da mama criado e conduzido por uma doente oncológica. Este projeto chama-se “Lady dos Lenços” (Instagram: @ladydoslenços) e além de oferecer lenços para turbantes, publica diversos (mesmo muitos e interessantíssimos) tutoriais de como usá-los com estilo wink. É uma inspiração para estas mulheres que, acompanhando este projeto, vão apercebendo-se que a sua imagem não é constante, sendo dinâmica. E por isso mesmo, deveria existir aconselhamento de imagem e styling para estas mulheres.

 

A sua imagem, afeta e reflete a sua autoestima, o que por sua vez impacta no seu bem-estar geral e atitude perante a doença. Aquilo que muitos não veêm ou consideram fútil pode ser a chave para uma atitude mais positiva, que como sabemos é determinante para a cura.

 

Investir em onco consultoria de imagem e styling é investir no restabelecer da autoestima e no empoderamento da mulher doente oncológica afetada pelo cancro da mama.

Porque ela merece, porque ela continua a ser MULHER!